terça-feira, 21 de agosto de 2018

Cansados de votar em politicos que prometem, mas não cumprem, indígenas do estado da Bahia lançam candidaturas

Insatisfeitos com políticos que aparecem em suas aldeias somente em período de eleição, que fazem promessas de campanhas, mas não honram os compromissos firmados. Preocupados com o atual momento de ataques e violação a seus direitos que os indígenas da Bahia decidem  lançar candidaturas ao legislativo na eleição de outubro deste ano. Cacique Aruã (PC do B) é indígena da etnia Pataxó e candidato a deputado estadual, Cacique Ramon (Rede) é índio Tupinambá e vai disputar ao cargo de deputado federal. Após sucessivas eleições sem obter avanço nas suas demandas, ao contrário, vendo seus direitos serem suprimidos ou relativizados decidem por investir em uma candidatura própria. A decisão dos indígenas coincide com o aumento expressivo da corrupção e incertezas no cenário político brasileiro.
 Cacique Aruã  Pataxó

Aruã é Bacharel em Administração, cacique da Aldeia Pataxó Coroa Vermelha, ex-vereador, atual presidente do PC do B de Santa Cruz Cabrália, presidente da Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia - FINPAT e membro do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia - MUPOIBA.

Cacique Ramon Ytajiba Tupinambá

Ramon Ytajiba é graduando em Licenciatura Intercultural Indígena - LICEEI com ênfase em Lingüística, cacique da Aldeia Tucum e líder do povo Tupinambá de Olivença, no município de Ilhéus. Ele acumula um histórico de luta em favor dos povos e comunidades tradicionais. É um defensor da educação e da Cultura.


Cacique Aruã e delegação de indigena da Bahia em Brasilia 


Em um período de instabilidade da democracia e futuro incerto no contexto político, os povos indígenas optam por trilhar  seu próprio caminho. As candidaturas é resultado de um projeto político que visa a autonomia e protagonismo dos indígenas e seus parceiros. Nos últimos anos, os indígenas vêm se preparando para assumir espaços de poder, antes impossíveis. Se no passado esses povos eram vistos apenas como eleitores, hoje eles estão convencidos da necessidade e urgência de  eleger seus legítimos representantes.